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Juventude (que se quer) Empreendedora

Nos últimos anos em Portugal um dos temas que mais tem preenchido a agenda mediática tem sido o do empreendedorismo. Hoje o empreendedorismo é um conceito que virou moda e que veio para ficar não havendo político, empresário, dirigente, professor e jovem que não fale de empreendedorismo, com maior ou menor conhecimento, ou, até mesmo, que não se identifique com o conceito, assumindo-se ele próprio como de alguma forma empreendedor.

 

Esta não é uma realidade exclusiva de Portugal, mas sim transversal a vários países e que importa, por um lado, consolidar e potenciar de forma estruturada e sustentada, e, por outro lado, analisar de forma crítica e consciente, com a noção do longo caminho que ainda temos a percorrer, sobretudo no que concerne à criação de uma verdadeira cultura empreendedora junto dos jovens, que não seja geracional, mas sim intergeracional.

 

Neste contexto, Portugal tem tido a capacidade de se assumir cada vez mais como um país empreendedor, diferenciando-se pela inovação, tecnologia e criatividade, que são hoje o selo de qualidade de muitas das nossas start-ups que triunfam em mercados cada vez mais globais e competitivos, lideradas por jovens empreendedores portugueses altamente qualificados, que através destas, são eles os responsáveis pela criação de centenas de postos de trabalho, também estes, altamente qualificados, em Portugal e no estrangeiro, por via da internacionalização. Este é também um trabalho desenvolvido, de forma estruturada e consolidada, por muitas das nossas universidades e politécnicos, sabendo promover o melhor do empreendedorismo, dando lugar em alguns casos a verdadeiros clusters, dos quais tem saído estas start-ups de sucesso, como são exemplo a Universidade de Aveiro, a Universidade do Porto, o Instituto Politécnico do Porto e a Universidade do Minho, apenas para citar alguns exemplos a norte do país.

 

O país também tem tido a capacidade de atrair a si eventos de escala internacional, como o Web Summit, que ajudam não só a promover o país, como destino preferencial para muitas start-ups internacionais, mas muito particularmente a potenciar, com efeito multiplicador, o número de jovens empreendedores portugueses. Os próximos dois anos também aqui serão um desafio.

 

Tudo isto é suficiente? A meu ver, e salvo melhor opinião, não! Importa de uma vez por todas assumir a educação para o empreendedorismo como um desígnio nacional, na formação de jovens cada vez mais qualificados, mas sobretudo cada vez mais bem preparados para abraçar a vida profissional, aquando da transição do ensino (profissional ou superior) para o mercado de trabalho. Tenho defendido que todo o jovem deve ser empreendedor não querendo isto dizer, obrigatoriamente, que todo o jovem empreendedor deva ser empresário. Temos muitos empresários que não são de todo empreendedores e muitos empreendedores que não são, nem nunca serão, empresários, mas que acrescentam valor. Formar toda uma nova geração de jovens empreendedores é formar uma geração de jovens com espírito de iniciativa, de criatividade, de inovação, de liderança, de resiliência, com a capacidade de acrescentarem valor à envolvente e à sociedade na qual estão inseridos. É isto, em parte, que distingue os conceitos de intrapreneurship e enterpreneurship, e que a sociedade civil deve exigir como uma prioridade na educação das novas gerações, na escola, a começar pelo ensino básico, e em casa, onde a família continua a ter um papel deveras decisivo.

 

Será a nossa capacidade conjunta (governos e sociedade civil) de apostar e desenvolver uma estratégia nacional de educação para o empreendedorismo a única via para devolver a Portugal a cultura empreendedora que já tivemos séculos atrás aquando dos Descobrimentos Portugueses.

 

É isto, em parte, que procuramos fazer na Fundação da Juventude, e muitas outras instituições, junto dos jovens portugueses, com os nossos projetos e atividades, muitas das vezes sem o devido reconhecimento público e/ou político, com poucos recursos, mas altamente focados e motivados para que a cultura empreendedora possa ser base para o sucesso pessoal e profissional dos nossos jovens portugueses.

 

*Este artigo apenas vincula a opinião do seu autor.

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