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I’m a city changer

Num dos últimos Congressos da JSD, uma moção da JSD de Sintra aludia à “ataraxia política nos jovens” enquanto fenómeno que traduz o contínuo distanciamento da juventude da participação política, evidenciado nomeadamente pela crescente abstenção nos actos eleitorais, pelo repúdio dos partidos políticos tradicionais e pela adesão a movimentos alternativos ou autoproclamados de “independentes”.

Se atendermos a que esta é uma realidade que hoje se generaliza aos demais estratos etários do eleitorado, as principais questões que podemos colocar são o porquê da sua especial incidência na população mais jovem e que papel poderão ter as estruturas políticas da juventude na inversão desta tendência.

No primeiro caso, a resposta jamais pode ser dissociada da falta de expectativas que assalta uma significativa maioria da população mais jovem, nos planos pessoal e profissional, em contraciclo com os tempos áureos em que o Estado se assumia como garante de um futuro feliz para as novas gerações.

Relativamente à segunda questão, estas estruturas poderão afirmar os seus méritos enquanto espaços agregadores da juventude (na solidariedade, na cultura, ou no apoio ao associativismo juvenil), enquanto campos de formação pessoal e política (de que iniciativas como a Academia Socialista ou a Universidade de Verão do PSD se revelam expoentes máximos), ou no estímulo à participação cidadã.

Nas últimas eleições autárquicas, foram várias as centenas de jovens que participaram na minha equipa de voluntários – Eu, por Braga -, os que deram contributos na formatação do Plano de Desenvolvimento Estratégico Braga 2025, sob o lema “I’m a city changer”, e muitos outros que integraram as diferentes listas de candidatos.

Durante este primeiro mandato, os jovens Bracarenses já puderam assumir a dinamização do Conselho Municipal da Juventude, integrar as iniciativas de divulgação do Plano Director Municipal junto das Escolas Secundárias, envolver-se nos projectos “Nós propomos” ou “Eu cuido do meu bairro”, formular propostas no Orçamento Participativo ou submeter projectos de animação cultural para a “Noite Branca”, entre várias outras iniciativas.

Seja em Braga, Capital Ibero-Americana da Juventude, ou em Castelo Branco, a participação autárquica dos jovens é uma enorme mais-valia para esta franja da população e para a melhoria das políticas municipais para a juventude, em áreas tão diversas como a promoção da empregabilidade e do empreendedorismo, o estímulo ao associativismo, a disseminação da prática desportiva, a afirmação do potencial cultural ou o exercício de uma cidadania plena desde tenra idade.

Porque a participação política dos jovens não visa apenas garantir que eles poderão vir a ser futuros autarcas, deputados, governantes ou primeiros-ministros, até. Pretende, também, que eles sejam continuamente… melhores cidadãos.

*Este artigo apenas vincula a opinião do seu autor.

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