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Fugir para sobreviver – A crise dos refugiados Sírios

Acho importante começar por realçar que os países da União Europeia não são e estão longe de ser os países que acolhem mais refugiados. Os milhares de refugiados que procuram os países da União Europeia para fugir à guerra são uma minoria comparados com os 4,6 milhões que se encontram em países vizinhos da Síria como a Turquia, o Líbano, a Jordânia, o Iraque ou o Egipto.

É ainda outra falácia achar que a UE poderá perder a identidade devido à vaga de refugiados sírios, quando na verdade apenas representam 0,1% da população da União Europeia. Não, a nossa identidade não está em risco, a nossa identidade só fica em risco quando lhe falta a solidariedade, quando deixa que mais de dez mil pessoas (sim, é de pessoas que se trata) conheçam a morte e, como diria Platão, “o fim da guerra” no Mar Mediterrâneo, quando deixamos que a ignorância e o ódio nos consuma e nos deixe ficar cegos.

Vejo, com tristeza, várias barreiras criadas entre aquilo que alguns de nós, europeus, pensam que somos e aquilo que pensam que os refugiados sírios são, como se um ser humano tivesse várias raças e a do europeu, por algum motivo, fosse melhor e mais apurada do que do refugiado sírio. Existe uma raça, uma única raça, chama-se raça humana e é-nos comum a todos.

Há maus e bons exemplos, há maus e bons muçulmanos, há maus e bons cristãos, há maus e bons sírios, há maus e bons europeus, há más e boas pessoas.

A União Europeia tem uma política de asilo que tem de ser cumprida de forma eficaz por todos os países, sem egoísmos, sem xenofobias, com espírito de solidariedade e de compromisso.

“Vemos, ouvimos e lemos. Não podemos ignorar.” Sophia de Mello Breyner Andresen

*Este artigo apenas vincula a opinião do seu autor.

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