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Da cidade para o Mundo

Pode ser um estímulo escrever sobre a inserção de uma cidade portuguesa no mundo global. Por vezes vivemos embrenhados nos nossos problemas, de tal modo que o acontece lá fora nos parece distante e com pouca relação com o nosso quotidiano.

Nunca como hoje a globalização afetou tantas pessoas. Na verdade, é impossível ignorarmos ou permanecermos alheios a esta realidade.

Desde logo, a globalização económica trouxe alterações significativas.

Boa parte da atividade económica desenvolvida em muitas cidades portuguesas tem vindo a ser deslocalizada para outras latitudes, onde o custo da mão-de-obra é inferior. Isto representa um repto significativo para os líderes políticos, em especial os que detêm responsabilidades na política local.

Com efeito, as maiores dificuldades com que muitas cidades se deparam é a desertificação e o desemprego. Em boa parte isto deve-se à redução da atividade económica e à deslocalização de muitas empresas.

Por outro lado, em Portugal, assistiu-se nos últimos anos, a um movimento demográfico acentuado, fruto também da globalização económica, em larga medida prejudicial para o seu saldo migratório.

Muitas cidades sofreram perda de população, seja porque a população imigrante reduziu – com a chegada de menos pessoas e o regresso de muitas aos seus países de origem -, seja porque muitos jovens escolheram emigrar, procurando noutros destinos oportunidades e projetos profissionais.

Os movimentos populacionais representam hoje um desafio profundo às políticas públicas, desde logo dos eleitos locais. Tanto no equilíbrio do défice demográfico como na reação à designada crise dos refugiados.

Também global é a ameaça do terrorismo, hoje capilar e inorgânica, podendo surgir em qualquer lugar e a todo o momento. É uma realidade para a qual as cidades portuguesas devem estar preparadas.

Mas a globalização não traz apenas riscos e ameaças. Representa uma enorme oportunidade.

Olhando para a realidade portuguesa percebemos que existem inúmeros exemplos de boas práticas que permitem tirar partido dessas oportunidades.

Há hoje um mercado global de talento, através do qual é possível atrair para as nossas cidades pessoas com capacidades que muito as enriquecem. É possível atrair projetos inovadores, com capacidade de exportação, que podem melhorar a vida de todos. É possível atrair investimento estrangeiro para fixar em Portugal empreendedorismo.

Para isso é necessário pensar o país de raiz. Criar cidades inteligentes, com condições para reter e fixar pessoas. Não bastam as redes viárias e as infraestruturas. Essas estão em larga medida feitas.

É necessário pensar as cidades com as pessoas e para as pessoas. Ainda recentemente, em reação à crise dos refugiados, as cidades portuguesas deram um notável exemplo de mobilização, encontrando em pouco tempo capacidade para instalar um número elevado de pessoas.

Essa capacidade de reação pode ser replicada em outras áreas, atraindo talento, português ou estrangeiro, o qual trará, necessariamente, inovação, empreendedorismo e investimento.

Tudo para, numa nota de otimismo, aproveitar para a realidade local todo o potencial da globalização, todas as suas oportunidades. É isso que se espera das lideranças locais, sobretudo das jovens lideranças, nas novas gerações, as quais nasceram já com a globalização, podendo dela extrair todo o potencial.

*Este artigo apenas vincula a opinião do seu autor.

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