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A Selecção Nacional, o Futebol e as virtudes da exaltação nacional

“Quando um (mero) evento desportivo pode, num bater de asas, transformar a maneira como nos olhamos e projectamos no futuro.”

Na ressaca do nosso maior feito colectivo, futebolisticamente falando, importa promover uma reflexão patriótica, afectuosa e sentimentalista: hoje podemos ser lamechas, caramba.

O site norte-americano Político diz-nos, por estes dias, que a conquista do Europeu se tornou no acontecimento de maior relevância para Portugal desde que aderimos à então CEE. Todos reconhecemos o papel histórico de certos eventos desportivos: desde a Partida da Morte Nazi ao jogo de Rugby que unificou a Àfrica do Sul. Poderá assim esta vitória revelar-se um ponto de inflexão moral, colectivo? Numa certa análise, esta conquista tem o condão de, para além do seu significado desportivo, poder, de alguma maneira, contribuir para uma afirmação efectiva de uma certa condição do ser Português. Da significância da nacionalidade até ao posicionamento estratégico nesta retalhada Europa. Exagero? Talvez, mas olhem só para a cara de Mário Centeno na reunião do EUROGRUPO (e cachecol repousado nos ombros).

A exaltação, a emoção compartilhada e o sentimento geral de compromisso uniu-nos, não só cá dentro, mas em todas geografias presentes, mostrando uma diáspora sedenta de ligação afectiva à nação Portuguesa, tomando forma numa afirmação de Portugalidade por concretizar. (Aquela Dili de madrugada a festejar, caramba).

Apesar deste vulcão emocional plasmado na nossa vida colectiva importa agora, mais do que nunca, questionar: o que restará deste sentimento partilhado, desta alegria comum? Haverá inteligência, astúcia e espírito de compromisso para, aproveitando esta atmosfera renovada, criar uma certa transversalidade e arrastar a força colectiva num outro sentido? Importa enfrentar a vivência social, económica e política olhando a jusante. Voltar, de certa maneira, a cumprir os Lusíadas.

De todas as aprendizagens decorrentes desta conquista desportiva, será a comunhão de crenças a mais importante. Que o desporto, em particular o futebol – esse repositório de embriaguez colectiva, nos transporte a todos para espaços mais nobre de relacionamento comum.  É o que se deseja.

A afirmação da nossa condição começa agora.

*Este artigo apenas vincula a opinião do seu autor.

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