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Mais vale prevenir do que remediar!

Se tivéssemos sempre em mente este provérbio popular, certamente que nos pouparia muitas chatices ao longo da vida. Mais vale não beber porque vou conduzir. Mais vale estudar para as frequências do que ir a época de exames. E muitos outros exemplos se poderiam expor.

No nosso panorama legislativo e governativo, este ensinamento também deveria estar presente na cabeça dos nossos legisladores e governantes, pois assim se evitaria muitos problemas, principalmente das causas fraturantes.

Vejamos dois casos concretos: a legalização do aborto e a legalização da prostituição. Estes casos pretendem apenas ser uma ilustração da atuação do Estado e podem não refletir a minha opinião sobre cada tema.

No caso do aborto, foram as condições em que as mulheres que recorriam à interrupção da gravidez que motivaram a realização do referendo e, posteriormente a legislação, atualmente em vigor. Mas se o problema necessitava de ser resolvido, perdeu-se uma excelente oportunidade de se pensar nas causas. Os legisladores preferiram remediar em vez de prevenir. Nesta situação em concreto importa refletir sobre o que leva a existirem as gravidezes indesejadas. Seja por irresponsabilidade dos jovens, seja por falhas dos métodos contracetivos, seja por qualquer outra razão, o importante seria prevenir as gravidezes indesejadas, apostando ainda mais na saúde de planeamento familiar assim como no ensino de uma sexualidade responsável nas escolas.

No que diz respeito à prostituição, mais uma vez, os seus defensores pretendem resolver os problemas a jusante, em vez de os resolver a montante. Importa por isso refletir no que levam as pessoas a prostituírem-se e várias podem ser as causas: dificuldades económicas, vítimas de tráfico humano, dependências de drogas e consequentemente necessidade de arranjar dinheiro para o consumo. Neste sentido, o Estado ao legislar esta atividade não vai fazer que as pessoas deixem de se prostituir, vai apenas resolver o problema de algumas pessoas que se prostituem, incluindo-as no “sistema”, mas votando outras ainda mais à clandestinidade, principalmente aquelas pessoas mais desprotegidas e que recorrem à prostituição como última solução de sustento da sua vida. O importante antes de se legislar, é evidenciar todos os esforços para combater as causas que levam as pessoas a prostituírem-se, ou seja, prevenir em vez de remediar.

Muitos outros temas poderiam ilustrar esta atuação do Estado que parece preferir remediar em vez de prevenir. No meu entender, a prevenção passa por uma melhor educação. Importa implementar desde logo um projeto educativo à escala nacional que contemple o civismo e o viver em sociedade. Que incuta nas crianças e nos jovens valores como a responsabilidade e a solidariedade, assim como as consequências dos comportamentos desviantes.

Em suma, a prevenção necessária passa por uma mudança de mentalidades, que infelizmente não se consegue mudar por decreto. É um trabalho de muito longo prazo e que por isso não se pode adiar mais.

*Este artigo apenas vincula a opinião do seu autor.

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