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Marcelo: o homem com qualidades

A eleição de Marcelo arrisca-se a marcar um ponto de viragem na relação entre as instituições e o eleitorado ou, se quisermos, entre o poder político e as pessoas.

Não adianta versar sobre os propósitos da sua eleição ou discutir tão pouco o argumentário infeliz que relaciona a exposição pública com o número de votos. Nem tão pouco falar da sua relação com Costa e Passos. Interessa aqui apenas o homem e a acção. Acção esta intrinsecamente ligada ao ritmo, ao movimento. Uma espécie de Behaviorismo não dissociado de intelectualidade diletante. Certo está que os (poucos) meses de actividade publico-política do actual presidente marcam um novo estilo, uma nova ideia.

Há dias a revista Monocle chamava a atenção para as “good vibrations” do Presidente Marcelo. Está-se em crer que essa onda positivista, mesmo sem ser excessivamente “militante”, e num estilo racionalista, está na base de um estado de graça absolutamente inédito na política Portuguesa dos últimos anos. A facilidade como Marcelo quebra a barreira institucional e se aproxima, com uma certa ternura, do pensamento e da mundanidade populares, é reconfortante e introduz uma certa renovação carregada de oxigénio, sem expelir muito CO2.

É ver Marcelo improvisar Rap em bairros sociais de manhã, para estar à tarde a falar de Joyce e Proust. É ver Marcelo desdobrar-se em eventos múltiplos, enérgico, assertivo. Uma azáfama salpicada de felicidade. E o sorriso. Sempre um largo sorriso.

E é precisamente este novo élan cultural, em todas as suas concepções, muito arredado do pensamento político português, que potencia Marcelo e que o projecta numa inovadora representatividade do que é ser Presidente. Consegue ser popular sem ser popularucho. É intelectualmente honesto sem ser altivo. E transporta uma idoneidade académica da qual não faz bandeira mas que credibiliza e enleva a sua acção.

Marcelo parece assumir a concepção aristotélica de Zoon Politikon, no sentido de serviço público e realização moral e intelectual: o “homem com palavra”. A questão reside na efectivação e concretização desse mesmo serviço. A tarefa não é fácil. Resta esperar para como o restante espectro político gravitará em torno desta petite revolution. As primeiras etapas parecem ganhas.

Para já, Senhor Presidente, junto-me e também eu lhe faço a minha saudação, ao melhor estilo ojigi.

Luís Nabais

 

*Este artigo apenas vincula a opinião do seu autor.

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