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Baixa densidade ou alta qualidade?

Realizou-se no final de mês de Abril, o XXIV Congresso Nacional da JSD, onde foram eleitos os novos órgãos nacionais da JSD para o biénio 2016-2018. À semelhança do que acontece em todas as estruturas partidárias, os congressos comportam uma fase de definição das equipas e consequente escolha dos elementos que as integrarão. Neste Congresso, o distrito de Castelo Branco duplicou a sua representatividade em órgãos nacionais, facto que nos deixou muito satisfeitos, e que é um indicador do trabalho que temos vindo a desenvolver, e do caminho que, juntos, temos trilhado para a credibilização e valorização das regiões do interior, e dos seus jovens.

Mas será que esta nossa vitória no que concerne à representatividade deverá suscitar apenas da nossa parte o regozijo? Ou, por outro lado, deve, concomitantemente, constituir-se como o ponto de partida para uma análise em torno das razões que motivaram o retardamento desta mesma representatividade?

A análise é simples: o Distrito de Castelo Branco é um dos distritos de Portugal com menor densidade populacional, e consequentemente um dos distritos onde há menos eleitores, o que se traduz também em menor militância. Infelizmente, esta é uma situação que nos limita, e que de certa forma nos ultrapassa, o que dificulta a nossa representatividade nas estruturas nacionais, e que contribuí para que, por vezes, a nossa voz seja, tal como o nosso território, também ela menos densa, e por isso nem sempre impactante.

Todavia, deveremos nós ceder ao conformismo e assumirmos uma postura de submissão ao vaticínio derrotista que paira sobre a interioridade, ou ao invés devemos ambicionar um futuro mais promissor e encetar esforços para que as vitórias sejam cada vez em maior número? Penso que o conformismo aliado ao derrotismo nunca será a opção certa. Isto porque a mente de um jovem não deve ser toldada por um pensamento que está à partida condicionado por variáveis que lhe são alheias. Variáveis que muito dificilmente serão alteradas a curto, médio prazo ou mesmo longo prazo.

Então o que fazer? Desistir de fazer política só porque não temos as mesmas condições que outros têm? Quem nasce e vive no distrito de Castelo Branco, como noutros em Portugal, está munido de uma enorme capacidade de encontrar e desenvolver formas, estratégias e caminhos de atingir os fins a que se propõe. E este é o motivo pelo qual no Interior se continua a fazer política de enorme qualidade, mas acima de tudo de proximidade. Política de base, que é o princípio fundamental da intervenção de qualquer agente político.  Aqui não há distrações que apesar de secundárias muitas vezes tomam papel principal. Aqui dedicamo-nos à procura incessante de servir a nossa população, desenvolvendo e propondo políticas que consideramos serem fundamentais para a região. Aqui promovemos a militância ativa e efetiva.

A nossa região é classificada de baixa densidade, mas os nossos jovens, aqueles para os quais e com os quais trabalhamos, são de alta densidade- intelectual, criativa, social, artística. E esta,  esta é a única classificação com a qual nos iremos sempre preocupar.

João Matias

*Este artigo apenas vincula a opinião do seu autor.

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