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25 de Abril: a Revolução “poética”

Antes de tocar no tema quero deixar uma pequena ressalva de que irei dar uma pequena contextualização do que foi a Revolução dos Cravos, o que é, os protagonistas, o porquê e como aconteceu. De seguida, irei dar a minha opinião sobre o tema.

O 25 de abril de 1974 foi a data de quando o regime ditatorial, que perdurava há mais de 40 anos, terminou, devido à intervenção dos militares. É conhecida como a “Revolução dos Cravos” pois, durante aquele dia, Celeste Caeiro distribui cravos pelos populares e pelos militares.

Os grandes protagonistas desta revolução foram os militares, principalmente o Capitão Salgueiro de Maia e o Comandante Otelo Saraiva de Carvalho, que se empenharam em concretizar uma revolução perspicaz e cirúrgica. Os militares contaram com a “ajuda” de equipamento militar, como os tanques e armas.

A grande razão pela revolução foi devido ao descontentamento da população portuguesa por um regime ditatorial que durava há mais de 40 anos e que foi iniciado por António Salazar e que acabou com Marcello Caetano. Antes da revolução, Portugal vivia um período de perseguições, tortura, censura e prisões para aqueles que eram contra o Regime. Economicamente, Portugal tinha várias empresas industriais e financeiras, mas havia um número restrito que “monopolizava” o mercado português. Após a “queda” de António Salazar, este foi substituído por Marcello Caetano que, de início deu sinais que iria fazer uma mudança de política face ao seu antecessor. No entanto, prosseguiu a política de António Salazar, levando ainda mais ao descontentamento do povo português.

A estratégia começou com reuniões secretas, devido à opressão e perseguição pelas forças do Regime. Desde Agosto de 1973 até Março de 1974 foram realizadas varias reuniões, existindo duas muito particulares, que foi a de 9 de Setembro de 1973, em que foi criado o Movimento das Forças Armadas, e a de 24 de março de 1974, em que ficou decidido que iria ser feito o derrube ao Regime. A Revolução começou no Quartel da Pontinha, tendo os militares sido comandados pelo comandante Otelo Saraiva de Carvalho.

O grande sinal do início da revolução foi a emissão da canção de Paulo de Carvalho, “E Depois do Adeus”, que foi emitida na televisão e na rádio. De Santarém partiu o Capitão Salgueiro de Maia, que tinha o objetivo de ocupar o Terreiro do Paço. Esse objetivo foi conseguido, tendo sido ocupado pela manhã. Mais tarde, as tropas que se encontravam no Terreiro do Paço, moveram-se para o quartel do Carmo, onde se encontrava Marcello Caetano e onde se rendeu, entregando o poder ao Comandante António Spínola.

Na minha apreciação, o 25 de abril foi a Revolução mais poética que poderíamos ter e as músicas “E Depois do Adeus” de Paulo de Carvalho e a “Grândola Vila Morena” de Zeca Afonso como ponto de partida para o início da Revolução demonstram isso. E até durante a Revolução, com a introdução dos cravos nos canos das armas dos militares.

A Revolução permitiu-nos ter a possibilidade de nos manifestarmos, de nos reunirmos, de termos acesso ao conhecimento, de nos abrirmos a nível económico e até cultural, da abertura das fronteiras, da vivência de vários valores da sociedade e não só os valores que eram mais conhecidos do Regime (Deus, Pátria e Família), fez com que se conseguisse mais tolerância religiosa, levando a que a Religião Católica perdesse, pouco mas ainda algum, poder na nossa sociedade, levou-nos a que tivéssemos acesso a novas ideias e a novos ideais, que tivéssemos liberdade de expressão, entre tantas outras liberdades. Resumindo, estes valores que atualmente estão incutidos na nossa sociedade não podem ser esquecidos e devem ser valorizados e lembrados, tanto por parte dos jovens como por parte das pessoas mais velhas, porque se não se continuar a lutar e se der estes valores como garantidos, a sociedade irá cair numa situação de decadência e irá aos poucos desestruturando-se. O espaço público é onde se constitui o debate político, onde há a relação entre Estado e a sociedade global, onde há a garantia do pluralismo e é a nossa crença que faz o espaço público. E se nós não tivermos crenças, a corrupção, com categoria política irá desestruturá-lo. Cabe só a nos lutar pela garantia dos nossos valores.

Diogo Pessoa Freire 

 

*Este artigo apenas vincula a opinião do seu autor.

 

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