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Meritocracia VS Subserviência

A descredibilização da política e seus agentes tem aumentado ao longo do tempos de forma exponencial. Para analisar este fenómeno, é necessário refletir sobre o funcionamento dos partidos políticos, começando pelos pressupostos de filiação e progressão dentro dos mesmos.

Desde logo, e tendo como foco central as juventudes partidárias, é importante encontrar soluções para colmatar a não valorização do trabalho dos seus militantes na vida extrapartidária, trabalho esse que em muitos casos se deve a uma grande resiliência, irreverência e capacidade de conciliação. Ora, não serão estes os valores que devemos querer transmitir a todos aqueles que no presente e no futuro irão coordenar estruturas locais, regionais e nacionais? Desengane-se quem circunscreve a ação dos jovens militantes ao abanar das bandeiras e ao colar cartazes. Não obstante a importância deste trabalho de campanha, podemos afirmar convictamente que ele assume atualmente nas juventudes partidárias um lugar secundário. A JSD do século XXI pauta-se por um elevadíssimo índice de pessoas que apostam na formação e que exercem as suas profissões nas mais variadas áreas. Urge, por isso, a criação de observatórios, que à semelhança dos implementados em época de autárquicas, sinalizem aqueles/as militantes que junto da comunidade em que se inserem contribuem com muito mais do que aquilo que já fazem através da estrutura partidária. A valorização não só destes militantes, mas também de não militantes é um pressuposto fundamental para a abertura dos partidos à sociedade civil, e integração de todos/as  os/as que tragam ideias e dinâmicas novas.

Outra temática que importa deslindar é a forma como se processa a progressão dentro das próprias estruturas. E é aqui que nos surge um dilema: que futuro para os partidos políticos, meritocracia ou subserviência?

O termo meritocracia surge em 1958, através de Michael Young no seu livro “Levantar da Meritocracia”, onde apresentava um conteúdo pejorativo para este termo, devido a uma narração que retratava uma sociedade que seria segregada tendo como base dois principais aspetos: a inteligência (QI elevado) e um grande nível de esforço. No entanto, e com o decorrer do tempo, a palavra mérito ganhou uma conotação positiva, o que levou a que o mesmo acontecesse com meritocracia. Hoje em dia, podemos defini-la como uma forma de liderança que se baseia no mérito, nas capacidades e nas realizações alcançadas, em detrimento da posição social. Apesar de haver defensores e opositores da meritocracia, ela é cada vez mais utilizada para definir e distinguir aqueles que merecem a confiança necessária para liderar projetos e estarem envolvidos nos mesmos, nas mais diversas áreas de atuação política e não só, sendo também importante referir que a meritocracia não se expressa de modo puro e total em lugar nenhum, pois ela é misturada com outros métodos para escolha de suas autoridades.

A meritocracia tem sido uma das linhas orientadoras da concelhia a que atualmente presido. O reconhecimento pelo trabalho, entrega e dedicação não só à estrutura, mas também ao contexto social em que se inserem são fatores preponderantes na constituição de equipas e delegação de tarefas, o que nos permite hoje afirmar que foi, indubitavelmente, o caminho mais acertado a seguir. Exemplo disso são os vários militantes que ocupam lugares de destaque em estruturas partidárias e associativas, e que começaram a ganhar uma dinâmica participativa e responsável dentro da nossa equipa através dos valores e princípios que sempre defendemos e instituímos.

Que futuro queremos? O que construirmos juntos, com o nosso trabalho e com o sucesso que dele advier.  Porque, e Citando Francisco Sá Carneiro “Não somos nem queremos ser um partido de quadros ou de elites.” Mas sim um partido de todos/as para todos/as e com todo/as.

 

João Matias 

 

*Este artigo apenas vincula a opinião do seu autor.

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