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Irreverentes e pouco experientes

Esta é uma das frases que nós, os mais novos, vamos ouvindo algumas vezes. Não deixa de não ser verdade, mas é esta irreverência que traz novidade à experiência. Que sejamos irreverentes até pode ser, mas prefiro concordar com Goethe: “O mais tolo de todos os erros ocorre quando jovens inteligentes acreditam perder a originalidade ao reconhecer a verdade já reconhecida por outros”.

Falar de democracia, liberdade, direitos iguais para todos, parecem ser temas caros para uns, irrelevantes para outros, ou simplesmente algo que pouco ou nada se acredita. Noto, com alguma preocupação, que valores como estes sejam perdidos para a arrogância e uso de alguns.

Somos a geração das oportunidades, aquela que poderia e deveria mostrar, mais do que nunca, que existe, que tem valor, que sabe para onde caminha e como quer caminhar. Felizmente, que muitos estão aí, no terreno, na vida cultural, política, associativa, religiosa, artística. Mas, infelizmente os exemplos de participação e cidadania que nos chegam não ajudam a trilhar o caminho para o qual a nossa irreverência nos levaria. Porque os factos dizem-nos que muitos jovens vivem alheados da participação cívica, quase me atreveria a dizer vivem um desinteresse que poderemos considerar preocupante.

Estranho muito que tão pouco se fale de pessoas a quem chamamos “políticos”, saltitem de um lado para outro, no fundo no que mais lhes convenha, sem que nada lhes aconteça. Já dizia Francisco Sá Carneiro: “A política sem risco é uma chatice e sem ética uma vergonha” e “ O valor essencial da liberdade, sem igualdade, torna-se o aristocrático privilégio de uns quantos”. Quando assim acontece o silêncio é a maior das cobardias.

Ora, agora bem percebem porque referi democracia, liberdade, mas sobretudo igualdade. Parece que vivemos numa realidade à parte, onde tudo isto passa ao lado, como se fossem dados adquiridos. Mas, acredite, não são. Os ideais da revolução de Abril, as conquistas feitas até hoje, têm que ser defendidas, preservadas, sem nunca deixarmos que alguém ou alguns nos façam parecer que sim.

Sou daqueles que tal como Ernest Renan acha que: “Na política o homem é um meio; para a moral é um fim. A revolução do futuro será o triunfo da moral sobre a política”. É nesse sentido que escrevo, na tentativa (ainda que ineficaz) de mudar consciências, mas sobretudo mudar políticas e atitudes que considero negativas, mas que aceites fruto de uma passividade que urge mudar.

Para aqueles que possam concordar comigo, é imperativo que deixemos de ter medo perante tantas barbaridades que nos fazem querer parecer que tudo é normal. Fica a esperança que o presente seja apenas passageiro para um futuro onde a irreverencia e experiência caminhem de mãos dadas.

Duarte Alves 

*Este artigo apenas vincula a opinião do seu autor.

 

 

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