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Licenciado e Iliterato

Somos a geração – dizem- mais bem preparada de sempre. A verdade é que cada vez há mais jovens portugueses licenciados, quadros superiores altamente qualificados e a dar cartas nos quatro cantos do Mundo. Na verdade, ser português é, per si, um símbolo de qualidade – perdoem-me o atrevimento – mais reconhecido no estrangeiro do que em Portugal.

A par do desemprego jovem que assola Portugal, preocupa-me, naturalmente, a iliteracia política e a fraca participação pública jovem. Preocupam-me ainda mais os obstáculos profissionais e públicos que boa parte dos jovens encontram quando tentam intervir na vida da sua comunidade. É hipócrita a ideia de incentivar um jovem a juntar-se a uma associação estudantil, ou mesmo a uma estrutura partidária e, depois, olhar de lado e fazê-lo calar-se por defender as suas convicções. Isto não é dar liberdade, não é educar, é bloquear o progresso da nossa sociedade.

Culpamos a Escola por não ensinar claramente aos jovens como funciona uma junta de freguesia, para que serve a Assembleia da República ou mesmo, os fundamentos da Democracia. Em casa, quando se fala de política, “aqui d’el rei” que os políticos são todos iguais, que usam o povo para enriquecer, para favorecer os amigos e para vender livros, sem demonstrar abertamente as suas intenções e contradizendo-se em cada capa de jornal.

Estamos todos – obviamente – preocupados com o futuro de Portugal. Então devemos preocupar-nos com os jovens. Com a sua boa formação cívica – que não virá só da Escola! Pais, avós, tios, irmãos – incentivem o sentido crítico dos mais novos. De nada serve um cérebro cheio de informação se ela não for articulada e usada de forma prática.

É hora de perceber que – se queremos verdadeiramente mudar o Mundo- temos de fazê-lo estando por dentro dele: no grupo de jovens da Paróquia, na associação cultural, na juventude partidária, na associação de estudantes. Mãos à obra!

E para ti, jovem, se queres ser efetivamente diferente dos “políticos de algibeira” aos quais apontam o dedo, lembra-te:

“Não perguntes o que a tua pátria pode fazer por ti. Pergunta o que tu podes fazer por ela.” (John F. Kennedy)

Portugal espera por ti!

Márcia Caldeira Nunes  

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