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A verdade da Mentira

 

Hoje é o dia das mentiras e tem hoje início, em Espinho, o 36.º Congresso Nacional do PSD. O que é que isso tem a ver com o dia das mentiras? Nada, a não ser que haja congressistas que digam que votaram em Pedro Passos Coelho para Primeiro-Ministro.

Eu não votei em Passos Coelho para Primeiro-Ministro e ninguém, em abono da verdade, o poderá afirmar, porque o nosso sistema eleitoral não permite a escolha direta da principal figura do Governo. Eu votei sim, numa lista de candidatos a deputados que se comprometeram a defender um projeto político e estratégico para o país. E foi esse projeto que reuniu maior consenso entre aqueles que foram exercer o seu direito de cidadania de votar.

E se é verdade que os eleitores não elegem o Primeiro-Ministro, a leitura que o Partido Socialista e demais partidos de esquerda fazem dos resultados eleitorais é uma completa mentira. Eles apregoam aos sete ventos que a maioria dos eleitores votou contra o projeto apresentado pela coligação, numa tentativa de transformar o resultado das eleições numa votação de um qualquer reality show da oferta televisiva nacional, onde os portugueses votam em quem não gostam para os expulsar do programa.

Mas a verdade é que os eleitores são chamados a votar pela positiva, a escolher aqueles por quem querem ser representados e o projeto com que mais se identificam. E a verdade é que a parte maior dos eleitores, nos quais me incluo, votaram no projeto liderado pelo PSD e nos candidatos, que no Distrito, se comprometeram a defende-lo.

Mas o que aconteceu no período pós-eleitoral foi que o Partido Socialista decidiu transformar a Verdade do resultado eleitoral, numa inverdade (apenas não é mentira porque o nosso sistema eleitoral o permite) de solução de governo. Solução essa suportada pelos restantes partidos de esquerda que, ao invés de quererem aplicar a sua legítima visão e estratégia para o país, querem acima de tudo destruir todo um caminho percorrido e aceite (com muito sacrifício é certo) pelos portugueses. Esses partidos de esquerda podem não ter abdicado da sua identidade e das suas bandeiras políticas, mas ficaram certamente diluídas num limbo político em que a alternativa, ainda que radical, que preconizavam e alguma coerência que mantinham foram trocadas apenas pelo prazer de destruir todo o caminho percorrido até aqui e que custou suor e lágrimas aos portugueses.

A realidade que hoje vivemos é, para mim, um déjà-vu, daquilo que se passou anteriormente e que nos levou ao longo período de sacrifícios pelo qual todos tivemos que passar. Espero, sinceramente, que esteja enganado.

Para terminar há verdades que parecem mentira e de hoje a um mês será o encerramento do 24.º Congresso da JSD. Não irei escalpelizar os motivos e os interesses da antecipação do congresso.

Apenas quero relembrar que nem só do Presidente ou da Comissão Política Nacional vive a JSD, mas de toda a estrutura regional e local e, acima de tudo, dos seus militantes base, que trabalham no terreno junto das pessoas e a defender os seus interesses.

Os líderes passam, mas a estrutura e o trabalho feito ficam.

Helder Antunes 

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