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Breves notas sobre os dias de Hoje…

O blog “Aqui entre nós” iniciou actividade no passado dia 18, a uma sexta-feira. Assinala-se hoje, portanto, uma semana de vida e o resultado muito dificilmente seria melhor, superou-se a expectativa e aguardam-se os próximos sucessos. Este é desde o início um espaço que se quer dinâmico, criativo, livre e independente. Nas palavras de Pedro Passos Coelho, o primeiro autor a abrir o blog, “este tem de ser um espaço capaz de ir além do partido, que envolva toda sociedade civil”.

Como editor do blog, acredito que os objectivos estão estabelecidos e começam-se a cumprir, ao mesmo tempo que confio num futuro em que este mesmo blog ou tantos outros que lhe venham a suceder terão cada vez mais um papel catalisador do debate e da livre troca e discussão de ideias, em prol de tudo aquilo que é basilar para uma sociedade progressista, livre, civilizada, humanista e culta. O Futuro espera-nos…

Entretanto, proponho ao leitor deste singelo artigo um pequeno exercício de observação e análise crítica. Se num instante de algumas horas nos distanciássemos das nossas realidades envolventes e contemplássemos o globo como um produto de longas e profundas mutações sociais, políticas e culturais. Rapidamente constataríamos que os dias de hoje, são, em larga medida, das épocas mais interessantes e expectantes. Desde a América Latina, passado por África e acabando no Norte de Ásia. Os recentes desenvolvimentos na América Latina não deixam dúvidas para enganos, há claramente algo de novo. Cuba reata relações diplomáticas com os EUA e até é alvo de uma visita de Estado por parte de Barack Obama que parece estar numa maratona para terminar o mandato em grande e não perder a oportunidade de inscrever (mais uma vez) o seu nome na História Mundial.

 

A aproximação Cuba-EUA está muito para lá de um mero súbito interesse em quebrar barreiras diplomáticas, ou a possibilidade de fazer algo que o mundo não via desde o mandato de Calvin Coolidge (o último presidente dos EUA a visitar Cuba, em 1928. Desde o embargo económico estabelecido por Kennedy, com início em 1960, mais nenhum presidente norte-americano voltou a pisar solo cubano). Na verdade, desde há uns meses para cá que se tem percebido que interessa aos senhores da terra do Tio Sam uma aproximação com a America Latina, uma opção estratégica inscrita no novo quadro da política externa norte-americana.

 

Mas os interessados não são apenas os americanos. Depois de quase 5 décadas de embargo, os efeitos há muito que já faziam “moça” nas finanças e economia cubanas e nada melhor que aproveitar a nova conjuntura diplomática que os EUA parecem desejar para começar a aligeirar o quadro político de Cuba. Se veremos Cuba a recuar em décadas de retrocesso político, social, cultural e económico, não dependerá exclusivamente do “hermano” Raúl Castro e dos que lhe são fiél, dado que é necessário que o congresso norte-americana dominado pelos Republicanos e uma boa parte do lobby “anti-Castro” (constituído essencialmente por dissidentes cubanos e descendentes dos mesmos, muitos deles perseguidos, torturados e humilhados pelo regime de Fidel Castro) permita o levantamento do embargo, um dos principais impasses à estabilização de relações EUA-Cuba, e que podem dificultar a missão de Obama.

 

O interesse por estes tempos tão excitantes, digamos, não se esgota em Cuba e nas suas paradisíacas praias. A América Latina vive hoje tempos promissores, uma espécie de viragem à Direita, veja-se: no Brasil o reinado do PT (Partido Trabalhista fundado por Lula da Silva, com a promessa de ser um estandarte da “esquerda” no Brasil) parece ter chegado ao fim (o dossiê do Brasil deverá ficar para uma outra futura análise) com a possibilidade da demissão de Dilma da Presidência. E o PSDB, um dos principais partidos de Direita (centro-direita) no Brasil já perspectiva a possibilidade de ser poder, a última vez foi com Fernando Henrique Cardoso.

A Argentina que decidiu nos últimos meses do ano de 2015 colocar fim aos longos anos de poder da senhora Kirchner e eleger Mauricio Macri dos Liberais para Presidente. Cuba, Argentina (curiosamente, Obama depois de visitar Cuba decidi dar um santinho, também numa visita de Estado, à Argentina) Brasil e curiosamente a Bolívia (que recentemente disse, em referendo, “NÃO” à possibilidade de Evo Morales se candidatar a mais um mandato, por via da revisão de medidas constitucionais que o impediam de se recandidatar) parecem todos estar numa quase perfeita sintonia no que à mudança de quadros políticos diz respeito.

Por cá, as mudanças não são menos “especiais”, mas essa parte fica para as próximas notas. Se tivéssemos em campanha, poderíamos diz que este era um Tempo Novo, sem sombra de dúvida que é… Até lá!

Tiago J. B. Lucas

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