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A nova “maioria silenciosa”

Vivemos um tempo interessante e, diria até, inédito.

Este é o tempo em que um governo que ganhou eleições foi destituído do Poder porque os perdedores se aliaram.

Este é o tempo em que um orçamento mau está a passar por bom porque a mentira doce é mais sexy do que a verdade amarga!

Mas este é também o tempo em que um governo que declara dar tudo a toda a gente não consegue “descolar” nas sondagens.

E percebe-se porquê!

É que, apesar da propaganda do governo, os portugueses perceberam que quem mais beneficia do primeiro Orçamento da geringonça são as pessoas de escalões de maior rendimento.

Perceberam também que as famílias mais prejudicadas são as que têm rendimentos entre 500€ e 1400€.

Mas perceberam igualmente que o aumento dos impostos indiretos penaliza proporcionalmente mais quem tem menores rendimentos.

E que – apesar de o IVA da restauração baixar – incrivelmente o IMI do comércio, indústria e serviços aumenta.

E tudo isto é indisfarçável! Em Portugal todos sabem que as chamadas “medidas de devolução”, com que o governo enche a boca, são todas desfeitas pelo aumento dos impostos indiretos: combustíveis, tabaco, imposto de selo e sobre veículos.

Tem sido claro para todos que tudo aquilo que o Governo dá com uma mão está a tirar com a outra. E tira mais do que se dá!

É por isso que nunca fez tanto sentido o provérbio popular “quando a esmola é muita o pobre desconfia”. Essa desconfiança impede que este governo populista “dispare” nas sondagens e está a deixar preocupado o novo PM.

Nos próximos tempos não veremos manifestações; não veremos os portugueses na rua a reclamar da irresponsabilidade do governo. Muito menos os veremos a pedir a reversão do que foi revertido. Nos meses que se avizinham, veremos os portugueses atentos, preocupados, inquietos, mas, sobretudo, calados.

É uma nova maioria silenciosa – composta por pessoas que apoiaram o anterior governo, mas também por alguns votantes em António Costa – que está à espera do momento certo para se manifestar contra um governo usurpador, irresponsável, trapalhão e subjugado às ordens de partidos radicais.

Ao contrário de alguns povos mais bélicos, os portugueses são tradicionais de “brandos costumes”. É nisso que muitos governos se fiam, mas não se julgue que brandura signifique cegueira. Não são cegos nem cúmplices: são serenos.

Essa serenidade foi importante para nos mantermos focados quando noutras cidades europeias a crise levava a motins, cidades a arder, polícia de choque na rua, e outras imagens mais lamentáveis.

Por cá, muitos tentavam incitar esse levantamento popular, mas não aconteceu. E, da mesma forma como não houve violência nas ruas nos momentos mais tensos dos últimos quatro anos, também não veremos Portugal na rua para apear a geringonça.

Veremos, isso sim, crescer a apreensão e um sentimento generalizado de “eu sabia que isto ia dar asneira…

 

Cristóvão Simão Ribeiro

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